Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011

Jogadas...

No verão de 2010, João Moutinho não deixou dúvidas quando regressou aos trabalhos.
“Quero sair do Sporting!” Resposta? Nada. Pouco depois forçou. “O que preciso fazer? Não vir aos treinos?”
Conseguiu: foi oferecido a Porto e Benfica, mas só os dragões fizeram uma proposta de €11 milhões (divididos em três tranches liquidadas ate 2013). Ironia do destino, 15% do passe de João Moutinho pertence a Soccer Invest Fund, um fundo lançado pela MNF Gestão de Activos no inicio do ano e que tem LINO DE CASTRO como administrador.
Sim, Lino de Castro, o mesmo que foi administrador da SAD do Sporting de Setembro de 2010 a Março de 2011 (antes era secretario da assembleia geral) e que liderou as tais polémicas eleições no ultimo sufrágio.
Nos últimos dias, alguns associados dos lisboetas, entre os quais ex-dirigentes, questionaram a ética do negócio devido a um alegado conflito de interesses, mas de acordo com Lino de Castro, o “negocio Moutinho” foi todo feito esta semana, ou seja, quatro meses depois de ter cessado funções no clube.
Na quarta-feira, o Soccer Invest Fund alienou 22,5% aos dragões por €4 milhões, ficando, ainda assim, com 15% dos direitos económicos.
Quase se fala no interesse do Chelsea em bater a cláusula de rescisão (€40 milhões), os portistas asseguram mais algum dinheiro ao passarem de 62,5% para 85% dos direitos económicos.
No contrato de compra, ficou previsto que o Sporting recebera 25% de mais-valia, caso a venda seja superior a €11 milhões. 

BARRIGAS DE ALUGUER 

Achou estranho e confuso o “negócio Moutinho”?
Vejamos outros exemplos.
Hulk por exemplo.
O Porto pagou recentemente €13,5 milhões para ficar com mais 40% do passe do brasileiro – contas feitas, os portistas chegaram aos 85%, o curioso e que esse valor foi para o Rentistas, um clube da 2ª divisão uruguaia.
Porque? Simples.
O Rentistas e uma espécie de “clube barriga de aluguer” onde o todo-poderoso agente Juan Figger inscreve os seus jogadores porque as cargas fiscais no Uruguai são muito menores.
Em troca de uma soma mensal, o presidente do Rentistas deixa que Figger inscreva os seus futebolistas que nunca la jogarão – Hulk, recorde-se, foi parar ao Tokyo Verdy, no Japão.
Alem de Hulk, também Walter “foi” futebolista do Rentistas.
O caso de Alex Sandro e semelhante.
O passe do brasileiro pertencia a HAZ – Hidalgo, Arribas e Zahavi – que o comprou ao Atlético Paranaense, que o inscreveu no Deportivo Maldonado e o cedeu posteriormente ao Santos.

UM PLANTEL ÁS FATIAS

Atente-se no actual onze do Porto. 
E não falemos de nacionalidades nem de idades, apenas de percentagens de direitos económicos:
Hélton – 100%
Sapunaru – 50%
Rolando – 85 %
Otamendi – 50%
Álvaro Pereira – 75%
Fernando – 80%
Moutinho – 85%
Rúben Micael – 80%
James – 65%
Hulk – 85%
Falcao – 100%
A lei do mercado a ditar regras.
Neste caso a 100%.
Situações semelhantes se passaram nas negociações para contratar Alex Silva  e Bobô, por parte do Sporting.
Mas neste caso, o Sporting recusou pagar três milhões de euros a Juan Figger.
Os brasileiros estavam na lista de reforços e durante algum tempo a SAD pensou que poderiam chegar a custo reduzido, dado que estavam em final de contrato com os clubes que representaram em 2010/11 (São Paulo e Besiktas respectivamente).
Contudo, a dada altura entrou em cena o empresário uruguaio Juan Figger.
No caso estiveram envolvidos o Rentistas e o Central Espanhol, dois clubes regularmente utilizados pelo agente quando negoceia jogadores.
Figger disse que detinha 50 por cento do passe de Alex Silva e que o Rentistas era o clube de Bobô. E pediu uma comissão de 3 milhões de euros por ambos e um salário de 100 mil por mês para cada um.
Mal soube que teria de pagar luvas e que o Rentistas estava envolvido, a Sporting SAD desistiu do negócio.

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